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TĂȘnis de mesa (Pingue-Pongue)


Freitas; Barreto, 2024, p. 417
Freitas; Barreto, 2024, p. 417

O tĂȘnis de mesa, tambĂ©m conhecido como pingue-pongue, Ă© um esporte de raquete que se consolidou como uma das modalidades mais populares e acessĂ­veis do mundo. Sua origem remonta ao sĂ©culo XIX, na Inglaterra, onde surgiu como uma adaptação do tĂȘnis tradicional para ambientes fechados.


Ao longo do tempo, o esporte passou por significativas transformaçÔes em suas regras, materiais e organização competitiva, expandindo-se globalmente e tornando-se uma modalidade olímpica e paralímpica de destaque.


Este texto foi escrito especialmente aos meus alunos e minha alunas que, empolgados pela aquisição de uma mesa de TĂȘnis de mesa/Pingue-Pongue, estĂŁo vivenciando, sempre que possĂ­vel, essa modalidade divertida e cativante.


Origens e Consolidação do TĂȘnis de Mesa


O tĂȘnis de mesa teve suas primeiras manifestaçÔes na Inglaterra, durante a segunda metade do sĂ©culo XIX, como um passatempo social praticado em ambientes internos, especialmente no inverno, quando as condiçÔes climĂĄticas dificultavam a prĂĄtica do tĂȘnis de campo. Inicialmente, os jogadores improvisavam equipamentos, utilizando livros como rede, bolas de cortiça ou borracha e raquetes feitas de madeira, papelĂŁo ou atĂ© mesmo tampas de caixas de charutos.


A padronização do jogo começou a tomar forma quando James Gibb, um ex-maratonista inglĂȘs, introduziu bolas de celuloide levadas dos Estados Unidos, as quais produziam um som caracterĂ­stico ao serem rebatidas, originando o termo "pingue-pongue". A popularização do nome "Ping Pong" foi consolidada pela empresa J. Jaques and Son, que registrou a marca no final do sĂ©culo XIX, enquanto a Parker Brothers deteve os direitos nos Estados Unidos.


A organização do esporte em nível competitivo começou em 1901, com a criação da Ping-Pong Association, posteriormente substituída pela Table Tennis Association em 1922. Em 1926, foi fundada a International Table Tennis Federation (ITTF), responsåvel pela regulação e promoção do esporte em escala global.


Uma das maiores inovaçÔes técnicas ocorreu na década de 1950, com a introdução das raquetes com borracha esponjosa, que revolucionou o jogo ao permitir maior controle e efeito nas bolas.


O TĂȘnis de Mesa no Brasil


No Brasil, o tĂȘnis de mesa foi introduzido por turistas e imigrantes ingleses por volta de 1905, mas somente em 1912 ocorreu o primeiro torneio organizado, em SĂŁo Paulo, vencido pelo VitĂłria Ideal Clube. A prĂĄtica inicialmente restringia-se a clubes e residĂȘncias, sem uma estrutura formal atĂ© a dĂ©cada de 1940.


O eMuseu do Esporte possui uma exposição on-line sobre a histĂłria do TĂȘnis de Mesa no Brasil, vale a pena conferir!


Em 1942, atletas do Rio de Janeiro e SĂŁo Paulo, liderados por De Vicenzi, articularam a tradução das regras internacionais e a oficialização do esporte pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD). A participação brasileira no 3Âș Campeonato Sul-Americano, em 1947, marcou o inĂ­cio do intercĂąmbio internacional, fundamental para o desenvolvimento da modalidade no paĂ­s.


A consolidação institucional ocorreu em 30 de maio de 1979, com a fundação da Confederação Brasileira de TĂȘnis de Mesa (CBTM), que passou a gerir o esporte de forma independente, impulsionando sua expansĂŁo e profissionalização.


Em 2025, mais especificamente no dia 20 de abril, Hugo Calderano, apĂłs ser campeĂŁo mundial de TĂȘnis de Mesa, torna-se o primeiro atleta das amĂ©ricas a ganhar essa competição. Em sua maior conquista da carreira, Calderano superou os trĂȘs melhores jogadores do ranking mundial: nas quartas de final, venceu o japonĂȘs Harimoto Tomokazu; na semifinal, derrotou Wang Chuqin; e, na decisĂŁo, triunfou sobre o entĂŁo nĂșmero 1 do mundo, Lin Shidong, por 4 sets a 1 (6-11, 11-7, 11-9, 11-4 e 11-5), consolidando um desempenho histĂłrico.


O TĂȘnis de Mesa como Esporte ParalĂ­mpico


O tĂȘnis de mesa paralĂ­mpico foi incluĂ­do no programa dos Jogos ParalĂ­mpicos em Roma (1960), inicialmente apenas para cadeirantes. A modalidade para atletas em pĂ© foi introduzida em Toronto (1976), ano em que o Brasil fez sua estreia.


As regras paralĂ­mpicas sĂŁo semelhantes Ă s do tĂȘnis de mesa convencional, com adaptaçÔes, como, por exemplo, no jogo entre cadeirantes, o saque deve seguir uma trajetĂłria especĂ­fica.


Os atletas sĂŁo classificados em 11 categorias, sendo cinco para cadeirantes (classes 1 a 5), cinco para andantes (classes 6 a 10) e uma para deficientes intelectuais (classe 11).


O Brasil obteve suas primeiras conquistas significativas em Pequim (2008), com a prata de Welder Knaf e Luiz Algacir. No Rio 2016, a delegação nacional alcançou quatro medalhas, incluindo prata e bronze individuais (Israel Stroh e Bruna Alexandre). Em TĂłquio 2020, o paĂ­s somou mais trĂȘs pĂłdios, destacando-se Bruna Alexandre (prata) e CĂĄtia Oliveira (bronze).


Principais regras do TĂȘnis de Mesa


Contagem de Pontos

As partidas sĂŁo disputadas em sets de 11 pontos, e, em caso de empate em 10 a 10, vence quem abrir dois pontos de vantagem.


Nas modalidades de simples (individual) e duplas (incluindo mistas), a disputa segue o sistema melhor de sete sets (vencendo quem alcançar quatro primeiro), enquanto nas competiçÔes por equipes, adota-se o melhor de cinco sets (trĂȘs sets para vencer a partida).


Os jogadores trocam de lado da mesa a cada set finalizado.


O Saque

Toda jogada inicia-se com o saque, que deve seguir regras especĂ­ficas:


  • O sacador deve segurar a bola com a mĂŁo aberta, lançå-la verticalmente (mĂ­nimo de 15 cm) e golpeĂĄ-la de modo que toque primeiro em seu lado da mesa, passe sobre a rede e quique no lado adversĂĄrio.

  • Se a bola tocar a rede antes de quicar no campo oposto ("let", ou o famoso "queimou"), o saque Ă© repetido.

  • Um saque invĂĄlido (fora da mesa, sem quique no prĂłprio lado ou executado incorretamente) concede o ponto ao adversĂĄrio.

  • ApĂłs o saque, a bola deve ser rebatida alternadamente, com apenas um toque por jogador, sempre apĂłs o quique na mesa.


RodĂ­zio nas Duplas

Nas partidas de duplas, os jogadores devem alternar as rebatidas (um saca, o outro recebe, e assim sucessivamente). O saque é sempre diagonal, partindo do lado direito do sacador em direção ao lado direito do receptor. A cada dois pontos, o direito de sacar passa para a outra dupla, com os jogadores trocando a ordem de recepção.


Marcação de Pontos

Um ponto Ă© concedido quando:


  • A bola nĂŁo Ă© devolvida corretamente (quica duas vezes na mesa, vai para fora ou encosta na rede sem passar).

  • O adversĂĄrio toca a bola com o corpo ou apoia a mĂŁo livre na mesa durante a jogada.

  • O adversĂĄrio interfere no movimento da bola antes do quique em seu lado.


As Raquetes

A raquete de tĂȘnis de mesa pode variar em tamanho, forma e peso, mas deve ser composta por pelo menos 85% de madeira natural. Suas faces sĂŁo revestidas com borracha, sendo obrigatoriamente preta de um lado e vermelha (ou outra cor contrastante) do outro. Essa distinção de cores permite que os jogadores e ĂĄrbitros identifiquem qual lado estĂĄ sendo usado durante as jogadas. Com o avanço tecnolĂłgico, as raquetes modernas proporcionam maior controle e velocidade, contribuindo para que a bola atinja mais de 150 km/h em rebatidas potentes.


Tipos de Empunhadura

A forma como o jogador segura a raquete define seu estilo de jogo, influenciando na precisão, força e velocidade das jogadas. Os dois principais tipos de empunhadura são:

Freitas; Barreto, 2024, p. 417
Freitas; Barreto, 2024, p. 417

  • Empunhadura Caneta (Penhold):

    • O jogador segura a raquete como se estivesse segurando uma caneta, com os dedos polegar e indicador posicionados na parte frontal do cabo e os demais dedos apoiados atrĂĄs. Nesse estilo, apenas um lado da raquete Ă© utilizado para rebater a bola, o que proporciona maior agilidade e velocidade, sendo muito comum entre jogadores asiĂĄticos.


Freitas; Barreto, 2024, p. 417
Freitas; Barreto, 2024, p. 417
  • Empunhadura ClĂĄssica (Shakehand):

    • A pegada Ă© semelhante a um aperto de mĂŁo, com todos os dedos envolvendo o cabo, exceto o indicador, que fica estendido ao longo da borracha. Nessa tĂ©cnica, ambos os lados da raquete podem ser usados, permitindo maior variedade de golpes e potĂȘncia, sendo a preferida pela maioria dos jogadores ocidentais.


Essas diferenças na empunhadura permitem adaptaçÔes tĂĄticas e estilos de jogo distintos, tornando o tĂȘnis de mesa um esporte versĂĄtil e dinĂąmico.




O tĂȘnis de mesa passou por um processo de evolução contĂ­nua, desde suas origens como atividade recreativa atĂ© sua consolidação como esporte de alto rendimento e modalidade olĂ­mpica e paralĂ­mpica. No Brasil, sua trajetĂłria foi marcada por perĂ­odos de crescimento e estagnação, mas a fundação da CBTM e os recentes resultados em competiçÔes internacionais demonstram seu potencial de desenvolvimento. Como esporte paralĂ­mpico, o tĂȘnis de mesa destaca-se pela inclusĂŁo e adaptabilidade, consolidando-se como uma das modalidades mais dinĂąmicas e acessĂ­veis do mundo.



ReferĂȘncias:


FREITAS, Armando; BARRETO, Marcelo. Almanaque OlĂ­mpico. ComitĂȘ OlĂ­mpico do Brasil, 2024.

HISTÓRIA DO TÊNIS DE MESA. Disponível em: https://www.cbtm.org.br/conteudo/detalhe/5

HISTÓRICO DO BRASIL: Disponível em: https://www.cbtm.org.br/conteudo/detalhe/3

TÊNIS DE MESA. Disponível em: https://cpb.org.br/modalidades/tenis-de-mesa/

TÊNIS DE MESA. Disponível em: https://www.olympics.com/pt/esportes/tenis-de-mesa/

THE HISTORY AND EVOLUTION OF TABLE TENNIS. DisponĂ­vel em: https://us.cornilleau.com/content/71-the-history-of-table-tennis

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