Tamboréu
- Gabriel Garcia Borges Cardoso

- há 9 horas
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O tamboréu, de forma direta, é uma prática esportiva de rede, estruturalmente semelhante ao tênis, jogada, geralmente, por duplas de atletas posicionadas em lados opostos de uma quadra retangular.
Segundo as "Regras do Tamboréu", o objetivo central de cada jogador é arremessar a bola ao campo adversário, fazendo-a passar por cima da rede, de modo a dificultar a devolução por parte do oponente. Embora seja classificado e reconhecido tipicamente como um esporte de praia, sua prática desenvolveu-se também para o formato de quadras de saibro, englobando praticantes de variadas faixas etárias.
A pesquisa sobre as origens do tamboréu apresenta relatos que identificam sua chegada ao Brasil na década de 1930, no litoral paulista. O depoimento oral registrado no vídeo "Tamboréu" relata que a modalidade surgiu na Itália sob o nome de "Tamburello", sendo praticada em terrenos baldios de terra, e foi trazida para Santos (SP) no ano de 1936 por dois alfaiates italianos da família Donaes.
Outro documento apresenta que, em 1937, os irmãos italianos Bruno e Luigi trouxeram a Santos "dois pandeiros de aro de madeira e tampa de couro" (Bitencourt, 2004). Como os imigrantes não dispunham no Brasil dos mesmos terrenos de saibro encontrados na Europa, eles adaptaram o jogo para as areias da praia do Gonzaga, rebatendo uma bolinha maciça de um jogador para o outro a uma distância de até 80 metros.
A partir do contato dos moradores locais com essa prática praiana, o esporte passou por profundas transformações e sistematizações.
Os brasileiros demonstraram grande curiosidade pela dinâmica do jogo e começaram a introduzir modificações estruturais, como a inserção de uma rede e a redução da extensão da quadra, que passou a ter 34 metros de comprimento e 10 metros de largura. A rede, que divide a quadra ao meio, geralmente é feita de fio de nylon ou cordonê de cor escura. Essa rede possui 10 metros de comprimento e deve ser suspensa, de forma esticada, para que a parte superior da rede esteja a uma altura que varia entre 80 centímetros e 1 metro do chão.

Segundo Bitencourt (2004), os praticantes locais "desenvolveram técnicas e estabeleceram regras específicas, diferentes das de outros países europeus", fazendo com que o circuito de campeonatos passasse a existir nos moldes atuais apenas no Brasil, consolidando a fama de ser um esporte "genuinamente brasileiro". O aumento da popularidade fez o esporte "sair" das areias das praias e chegar às quadras de saibro dos clubes, como Internacional, Atlântico, Fluminense e Clube Tupis, culminando, em 25 de janeiro de 1967, na fundação da Federação Paulista de Tamboréu.
O principal equipamento que dá nome à modalidade é o tamboréu, que consiste em um "instrumento composto de um aro e tampa de qualquer material, com diâmetro máximo de 26 centímetros".

Historicamente, a fabricação do equipamento possui forte tradição artesanal: o instrumento é montado com retalhos de madeira colados e prensados, utilizando cola epóxi para a estrutura e cola à base de água para o tampo, o qual é idealmente feito de cinco folhas finas de madeira marfim com cerca de 3 milímetros de espessura. Em média, o aro atinge 3,8 centímetros de altura e o peso final do instrumento beira os 500 gramas, não ultrapassando os 580 gramas.
Nos últimos anos, para tornar o impacto mais ameno e o esporte mais acessível, o uso de "redinhas" semelhantes às das raquetes de tênis tem ganhado bastante aceitação. As bolas utilizadas em disputas oficiais são as mesmas bolas fabricadas para a prática do tênis de campo.
No que se refere à dinâmica tática do jogo, a configuração em duplas exige uma especialização das posições em "frentista" e "fundista".
O fundista atua no fundo e usualmente à direita da quadra, cabendo a ele a função de realizar saques que dificultem a devolução adversária, necessitando de mais força para atravessar a bola pelo campo. Em contrapartida, o frentista, posicionado próximo à rede, é o jogador que normalmente "tem mais habilidade" e "mais jeito de atacar", sendo o encarregado de fechar o ponto.
A prática exige comunicação contínua e forte entrosamento, pois o jogo coletivo demanda que um atleta se movimente e cubra os espaços da quadra em função e em sintonia com o seu parceiro.
Para iniciar a disputa de um ponto, executa-se o saque atrás da linha de fundo, não sendo permitido "queimar" a linha; o sacador deve lançar a bola e rebatê-la sem que ela toque o chão (o chamado "bate-pronto" não é válido) para que a mesma caia na "zona de saque" do campo adversário. O sacador tem direito a duas tentativas em certas ocorrências, mas perde o ponto automaticamente se errar dois saques consecutivos.
Durante o jogo, as rebatidas podem ser dadas "de voleio" (antes que a bola toque o chão) e é válido segurar o tamboréu com as duas mãos, sendo falta apenas se a bola atingir outras partes do corpo do atleta, excetuando-se as mãos ou os dedos que seguram o aro.
Por fim, o sistema de pontuação estipula que a vitória de cada "set" ocorra quando uma equipe atinge 10 pontos. Em caso de empate em 9 pontos, o regulamento exige que o jogo avance até que uma dupla consolide uma diferença de 2 pontos sobre a outra, ou até que a primeira alcance o limite de 16 pontos.
A federação também autoriza variações de torneios com 5 sets de 7 pontos. Esse caráter normativo e estruturado é complementado por um amplo sistema de categorias inclusivas, que abarcam divisões por nível técnico (como Principiante e Aspirante) e por idade, abrangendo desde a categoria Infantil (para atletas de até 15 anos) até a categoria Veteraníssimo (para esportistas com mais de 60 anos).
Gostaríamos de expressar nossos mais profundos e sinceros agradecimentos ao professor Waldomiro Correa Junior, diretor de iniciação da Associação Nacional de Tamboréu (ANT), por sua inestimável colaboração para a realização desta pesquisa. O envio de vídeos e documentos cedidos por ele foi fundamental para que pudéssemos investigar, compreender e sintetizar as origens, as transformações históricas e as regras contemporâneas do Tamboréu. Graças ao seu apoio e incentivo à pesquisa, foi possível construir este material acadêmico-científico, que integrará o Almanaque da Cultura Corporal e servirá como uma rica fonte de estudo para estudantes e pesquisadores da Educação Física, contribuindo para a difusão e preservação das manifestações da nossa cultura corporal.
Referências:
BITENCOURT, Valéria. Tamboreu. In.: COSTA, Lamartine Pereira da. Atlas do esporte no Brasil : atlas do esporte, educação física e atividades físicas de saúde e lazer no Brasil. Rio de Janeiro, 2004.
As Regras do Tamboréu. [S.d.]. Disponível em: https://www.aabbsp.com.br/storage/cards/151/regras_do_tamboreu.pdf
FUNDAÇÃO ARQUIVO E MEMÓRIA DE SANTOS. Tamboréu. Vídeo. YouTube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=nrCa_zOeuCg



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