Jesus jogava bola? A Cultura Corporal na antiga sociedade judaica
Esses dias comecei a pensar sobre quais brincadeiras, brinquedos e jogos as crianças, na época da infância de Jesus de Nazaré (figura central na mitologia cristã), praticavam nos seus momentos de divertimento. Dessa dúvida, iniciamos nossa pesquisa por fontes de pesquisadores e historiadores e chegamos a construção desse texto.
Ao pensarmos na pergunta provocativa "Jesus jogava bola?", buscamos estabelecer uma ponte pedagógica entre o imaginário popular acerca da figura histórica/mitológica de Jesus e a rigorosa documentação historiográfica, arqueológica e rabínica sobre o cotidiano da Palestina no século I d.C.
Percebemos, assim, que o estudo sobre a cultura corporal no contexto da Palestina do século I d.C. - período em que se insere a narrativa histórica e sociocultural do surgimento do cristianismo - revela um cenário complexo marcado pelo encontro entre as tradições religiosas judaicas e a hegemonia sociocultural greco-romana. A investigação das práticas corporais, dos jogos, brinquedos e brincadeiras organizado dessa época exige uma abordagem que combine achados arqueológicos, registros historiográficos clássicos e a vasta literatura rabínica antiga (Mishná, Tosefta e Talmude), além dos textos neo-testamentários.
Esta síntese busca apresentar como as manifestações corporais se estruturavam tanto no plano dos grandes espetáculos públicos institucionais quanto no ambiente doméstico e cotidiano da infância e do lazer judaico, desdobrando-se, inclusive, na linguagem metafórica das primeiras comunidades cristãs.
1. A herança Greco-Romana
Segundo Weiss (2014), a introdução dos espetáculos públicos e competições esportivas de matriz greco-romana na Palestina ocorreu durante o reinado de Herodes, o Grande (37 a.C. – 4 a.C.). Visando fortalecer seus laços políticos com Roma e integrar seu reino aos padrões culturais do Império, Herodes atuou como um pioneiro na introdução de grandes jogos no Oriente Romano, transformando radicalmente o cenário arquitetônico e os hábitos de lazer urbanos.
Herodes instituiu jogos quinquenais em homenagem ao imperador Augusto, construindo em Jerusalém (por volta de 28 a.C.) e em Cesaria Marítima (dedicada em 10 a.C.) edifícios monumentais dedicados ao entretenimento de massas, tais como teatros, anfiteatros e hipódromos ou "hipo-estádios".

Instalações semelhantes foram erguidas em Jericó (Tell es-Samarat), Samaria/Sebaste e, posteriormente, em cidades galileias como Tiberíades e Séforis.

Conforme descreve Weiss (2014, p. 11-15), o modelo herodiano combinava as tradicionais competições helênicas de atletismo, artes cênicas e corridas de carros com espetáculos romanos violentos, como combates de gladiadores e caçadas de feras (venationes).
Localidade | Tipologia de Edifício | Modalidades Realizadas |
Jerusalém | Teatro e Anfiteatro/Hipo-estádio | Jogos quinquenais, atletismo, thymelikoi (música/drama), corridas de quadrigas, lutas de feras |
Cesaria Marítima | Hipo-estádio, Teatro e Anfiteatro | Corridas de carros, provas atléticas, combates de gladiadores, venationes e festivais imperiais |
Jericó | Complexo multifuncional (Teatro-Hipódromo) | Corridas de cavalos/carros, representações dramáticas e assembleias |
Os jogos atléticos organizados por Herodes seguiam a estrutura dos agônes thematikoi (jogos com prêmios em dinheiro ou valores materiais de elevado montante). O programa esportivo incluía as modalidades olímpicas tradicionais divididas por faixas etárias (crianças, jovens e adultos): corridas rasas de diferentes distâncias, pentatlo, wrestling (luta livre), boxe e pancrácio (combate combinado que mesclava boxe e wrestling).

Para a população judaica da época, a presença dessas instituições provocou profundas preocupações religiosas e morais. A exibição de troféus e estátuas nos teatros era vista por setores piedosos como uma violação direta do Segundo Mandamento (proibição de imagens esculpidas).
Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu Sou o Senhor, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos (Êxodo 20:4-6).
Além disso, segundo Weiss (2014), a literatura rabínica inicial expressou forte oposição à participação nesses eventos. O texto do Sifra (Aharei Mot 9:13) interpreta a passagem bíblica de Levítico 18:3 ("não andareis nos seus estatutos") estabelecendo que os judeus não deveriam seguir os costumes das nações em suas leis, citando expressamente teatros, circos e estádios. O Rabbi Meir chegou a classificar a frequência a esses locais como "os caminhos dos amorreus", isto é, práticas pagãs proibidas.
As evidências históricas e arqueológicas demonstram que, ao longo dos séculos II e III d.C., ocorreu uma gradual adaptação e exposição da população judaica urbana a esses edifícios.
A literatura talmúdica (Talmude é o livro central do judaísmo rabínico que reúne debates sobre leis, ética, costumes e tradições orais judaicas) registra que mestres rabínicos do período amoraico (, estende-se aproximadamente do ano 200 d.C. ao ano 500 d.C.) utilizavam frequentemente termos e cenários dos jogos em suas parábolas pedagógicas.
Por exemplo, Weiss (2014) destaca que o Rabbi Hama bar Hanina comparou a luta de Jacó com o anjo a um atleta de classe inferior duelando com um príncipe real (Weiss, 2014, p. 149), enquanto o Rabbi Abin ilustrou o uso do lulav (ramo de palmeira) na Festa dos Tabernáculos (Sukkot) fazendo uma analogia com a palma de vitória recebida pelo auriga (cocheiro ou condutor de carros de guerra - bigas ou quadrigas -, especialmente nas competições realizadas nos circos romanos) vencedor nas corridas do hipódromo (Weiss, 2014, p. 216).
2. O cotidiano judaico: atividade física, jogos e brincadeiras infantis
Longe dos grandes complexos monumentais de entretenimento de massas, o cotidiano da criança e da família judaica na Antiguidade era permeado por brincadeiras populares e pelo uso de brinquedos artesanais ou adaptados do meio ambiente (Schwartz, 2019). Como demonstra Schwartz (2019), a literatura rabínica faz menção a diversos objetos lúdicos, em geral contextualizados a partir de discussões sobre as leis do Shabat e da pureza ritual (halakhah).
Um dos brinquedos descritos com maior riqueza de detalhes é o carrinho de criança (‘agalah shel katan), mencionado na Mishná (Betsah 2:10). A análise dos textos sagrados revelou duas interpretações sobre a estrutura desse artefato, ambas respaldadas por achados arqueológicos do mundo greco-romano:
Modelo do Plostellum: Interpretado por Rashi (1040–1105), consistia em uma pequena carroça de madeira em que a criança se sentava e era puxada por terceiros ou por animais de pequeno porte (Schwartz, 2019).

Modelo do andador de três rodas: Interpretado pelos Tosafistas (rabinos e estudiosos judeus medievais que escreveram comentários críticos e análises sobre o Talmud Babilônico), tratava-se de uma estrutura leve de três rodas com uma haste, que a criança segurava e empurrava à sua frente para auxiliar nos primeiros passos (Schwartz, 2019).

Outro brinquedo amplamente difundido na sociedade judaica era a bola (kaddur). Conforme aponta Schwartz (2019), as bolas eram confeccionadas em couro de animais permitidos (como ovelha, cabra ou bezerro) ou por meio de retalhos de panos e tecidos costurados.

O interior das bolas de pano podia ser recheado com penas, cabelos, folhas secas ou ar. As dimensões registradas na Mishná (Kelim 28:1) indicam a existência de bolas pequenas - com diâmetros aproximados entre 6,3 cm e 8,3 cm, que podiam ser seguradas com uma única mão - até bolas maiores, variando de 29 cm a 38 cm de diâmetro, que exigiam o manuseio com ambas as mãos.
2.2 Jogos sociais, elementos naturais e atividades infantis de imitação
Segundo Schwartz (2019), as crianças da antiga Palestina faziam uso constante de elementos naturais e produtos descartáveis do cotidiano agrícola para suas atividades de lazer e jogos de azar ou habilidade. Era hábito comum o uso de nozes (especialmente a noz-moscada e a noz comum), caroços de frutas (como azeitonas e tâmaras) e grãos de milho tostado. As nozes eram utilizadas tanto em brincadeiras de arremesso quanto como peões e peças em jogos de tabuleiro (pesifasim), sendo também empregadas por comerciantes para atrair a preferência das crianças às suas lojas.
No âmbito dos animais e insetos, a Mishná (Shabbat 9:7) relata que adultos costumavam capturar gafanhotos (limpos ou impuros) para servir de brinquedo para os filhos. Os insetos eram mantidos em pequenas gaiolas ou presos por fios ao redor do pescoço, permitindo que as crianças brincassem com eles no pátio das residências. Por outro lado, cães e gatos não eram comumente adotados como animais domésticos de estimação ou brinquedos na sociedade judaica, em razão da visão funcional e ambivalente mantida em relação a esses animais (utilizados estritamente para guarda de rebanhos ou propriedades).
As brincadeiras de imitação do universo adulto também estavam presentes, segundo Schwartz (2019). Fontes da literatura agádica e tanaítica registram crianças simulando práticas militares ou religiosas. Em acentuado contraste com narrativas bíblicas, tradições do século II d.C. ilustram a infância através do uso de arcos e flechas de brinquedo (ou descartados), capacetes infantis (kuba) e pequenos escudos redondos de origem árabe (ditsat ha-Aravi’in, Mishná Kelim 24:1), utilizados por meninos em jogos de combate simulado. Da mesma forma, havia registros de crianças imitando as sessões de estudo das casas de ensino (bet midrash), jogando "escolinha" com pedaços de pergaminho ou tábuas de escrita desusadas.
2.3 A ausência de brinquedos Greco-Romanos no meio judaico
Um dado historiográfico relevante ressaltado por Schwartz (2019) é a ausência sistemática na literatura rabínica e nos achados arqueológicos em sepulcros judaicos de uma vasta gama de brinquedos extremamente populares no mundo greco-romano. Entre os artefatos ausentes destacam-se:
Bonecas articuladas de madeira, terracota ou marfim;
Ioiôs, arcos de rolar (hoops) e piões decorados;
Brinquedos de puxar com rodas em formato de animais;
Guizos e amuletos infantis (crepundia) colocados no pescoço de bebês.
A explicação para essa ausência não é meramente acidental. Os mestres rabínicos exerceram um filtro cultural ativo para evitar objetos que promovessem a aculturação pagã, a idolatria (devido à representação figurativa de divindades ou formas humanas nas bonecas) ou a diferenciação rígida de papéis de gênero engendrados no padrão romano. Além disso, a elevada taxa de mortalidade infantil na Antiguidade fazia com que a atenção comunitária se concentrasse na sobrevivência física da criança, evitando a deposição ritual de bens lúdicos em sepulturas (Schwartz, 2019).
3. Metáforas esportivas do Novo Testamento
No século I d.C., o vocabulário e o imaginário visual do esporte helênico estavam profundamente impregnados no cotidiano das cidades do Mediterrâneo Oriental. A prática dos agônes não representava apenas uma forma de entretenimento, mas fornecia uma "linguagem doadoras de metáforas" para a filosofia popular (estoicismo e cinismo) e para o judaísmo helenístico (visível nas obras de Filo de Alexandria e no Livro de 4 Macabeus) (Harris, 1964).
Como apresenta Harris (1964), esse recurso estilístico e teológico foi amplamente assimilado pelo apóstolo Paulo. Criado em Tarso - uma metrópole helenística da Cilícia que possuía estádio, ginásio e festivais atléticos regulares -, Paulo demonstra em suas cartas um conhecimento técnico do esporte antigo que ultrapassa a mera ornamentação cênica, utilizando jargões específicos de atletas para comunicar a experiência da vida cristã.
3.2 Corridas, Lutas e a Coroa Incorruptível
A mais elaborada exposição das metáforas esportivas no Novo Testamento encontra-se na Primeira Carta aos Coríntios (1 Coríntios 9:24-27), escrita a uma comunidade familiarizada com os Jogos Ístmicos de Corinto:
Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correis de tal maneira que o alcanceis. E todo aquele que luta de tudo é abstinente; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível. Pois eu corro não como a coisa incerta; combato não como rebatendo o ar; antes submeto o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de algum modo a ser reprovado. (1 Cor 9:24-27).
Linguistas e historiadores do esporte antigo destacam aspectos técnicos fundamentais desse trecho (Harris, 1964):
A Corrida de Estádio (Dromos): A imagem do atleta focado na meta (skopos) sem olhar para trás é reafirmada em Filipenses 3:13-14, onde o apóstolo descreve o esforço contínuo da jornada espiritual em termos de um corredor que se lança à frente (Harris, 1964, p. 130).
O Boxe e o Jargão Hypopiazo: A expressão traduzida como "esmurrar o ar" refere-se ao treino de sombras (shadow-boxing). Já a frase "submeto o meu corpo" traduz o verbo grego hypopiazo, um jargão técnico do boxe e pancrácio que significa literalmente "dar um olho roxo" ou "deixar o corpo marcado de contusões", denotando disciplina física e autocontrole rigoroso (Harris, 1964, p. 132).
Afiguração do Arauto (Keryx): A frase final de 1 Coríntios 9:27 alude à figura do arauto oficial que proclamava os vencedores e as regras dos jogos. Paulo expressa o receio de, após ter atuado como o arauto da vitória para os outros, ser desqualificado (adokimos) por violação das regras (Harris, 1964, p. 130).
A Luta Corporal (Pale): Em Efésios 6:12, a luta espiritual é descrita com a terminologia da luta livre (pale), ressaltando que o cristão não combate como um lutador despido contra um oponente humano, mas precisa revestir-se da "armadura de Deus" contra forças espirituais superiores (Harris, 1964, p. 130).
O Juramento e a Coroa (Stephanos): Em 2 Timóteo 4:7-8, a célebre passagem "Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé" utiliza a expressão tetereka ten pistin, que faz referência direta ao juramento solene prestado pelo atleta antes das competições de que havia treinado segundo as normas e respeitaria rigorosamente o regulamento dos jogos. O prêmio prometido é a "coroa da justiça" (stephanos), em contraste com as grinaldas vegetais perecíveis (feitas de aipo seco ou pinho nos Jogos Ístmicos).
Considerações Finais
A investigação sobre as manifestações da cultura corporal na antiga sociedade judaica, realizada a partir do cruzamento entre fontes literárias clássicas, a literatura rabínica antiga e achados arqueológicos, permite responder de forma fundamentada e crítica à indagação que intitula este estudo: Jesus jogava bola?
Sob o ponto de vista da historiografia e da documentação textual estrita, não existe qualquer registro histórico, textual ou arqueológico que comprove ou relate que Jesus tenha jogado bola ou participado de jogos infantis específicos durante sua vida na Palestina do século I d.C. As narrativas bíblicas do novo testamento e os escritos da época voltam-se prioritariamente para aspectos teológicos, morais e políticos, sem registrar detalhes das vivências lúdicas da infância do pregador nazareno.
Entretanto, a ausência de um registro individualizado sobre a figura de Jesus não anula a rica realidade sociocultural na qual ele estava inserido. Pelo contrário, a vasta literatura rabínica tanaítica e amoraica atesta que as brincadeiras e os jogos corporais eram amplamente disseminados no cotidiano judaico, demonstrando que as crianças da época compartilhavam de uma cultura material lúdica bem definida. As evidências históricas confirmam a presença e o uso frequente de bolas (kaddur) de couro ou de pano com diversos tamanhos, de carrinhos infantis de puxar (plostellum) e empurrar ('agalah shel katan) de jogos de arremesso com nozes e caroços de frutas, além de brincadeiras de imitação bélica com escudos infantis e arcos de brinquedo. Essa conjuntura histórica e material remete diretamente à possibilidade concreta de que Jesus, enquanto criança integrada ao seu meio comunitário na Galileia, tenha tido contato ou vivenciado as brincadeiras e os jogos de bola característicos de seu tempo e de sua cultura local.
Em uma perspectiva macroestrutural, a cultura corporal daquele período histórico organizava-se em uma clara polaridade entre o ambiente doméstico e a cena pública monumental. De um lado, a população judaica vivenciava no dia a dia dos pátios e vilas as suas práticas esportivas e brinquedos tradicionais, muitas vezes adaptados para preservar sua identidade religiosa em relação aos filtros morais impostos pelos mestres rabínicos (Schwartz, 2019). De outro lado, a transformação arquitetônica e política promovida por Herodes, o Grande, e seus sucessores introduziu na Judeia e na Galileia os grandes espetáculos do Império Romano, erguendo teatros, hipódromos e anfiteatros que expuseram a sociedade local aos agônes atléticos, às corridas de quadrigas e às lutas de gladiadores (Weiss, 2014).
Essa presença ostensiva do esporte e dos espetáculos foi tão marcante que acabou fornecendo o vocabulário e o imaginário visual utilizados pelo apóstolo Paulo de Tarso para traduzir a experiência espiritual cristã por meio de metáforas agonísticas de corridas de estádio (dromos), lutas corporais (pale) e golpes de boxe (hypopiazo) (Harris, 1964). Em síntese, ao analisar o contexto lúdico e esportivo da Palestina antiga, compreende-se que, embora a história não possa afirmar individualmente que Jesus jogava bola, a cultura corporal de sua época continha todas as condições materiais e sociais para que esse e outros jogos fizessem parte da vida cotidiana daquela sociedade.
Referências
HARRIS, Harold A. Greek athletes and athletics. London: Hutchinson, 1964. [p. 23-169].
SCHWARTZ, Joshua. The Play’s the Thing: Toys in Ancient Jewish Society—Visualizing through the Words of the Rabbis. Images: A Journal of Jewish Art and Visual Culture, v. 12, n. 1, p. 7-18, 2019.
WEISS, Zeev. Public Spectacles in Roman and Late Antique Palestine. Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 2014. [p. 11-255].




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